Pra ver mais, só passar no http://precisavabotarprafora.blogspot.com/
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Então, o Precisava Botar pra fora cresceu e saiu do Tumblr…
Mas você ainda pode ver os rabiscos por aqui e ler os textos no novo endereço!
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Venham nos visitar!
Há certas coisas entre o céu e a terra que vão além da nossa filosofia mundana. Uma delas provavelmente é uma festa gay. Que apesar de mundana, transita entre o céu e bem… o inferno. Diga-se de passagem, bem mais pelo inferno mesmo. Senhoras e senhores, em 20 anos de profissão, eu nunca fui numa festa gay. Ou melhor, nunca tinha ido. Até sexta-feira passada. A sexta da Glória… Maria.

VOCÊS VÃO ENTENDER DEPOIS.
Na verdade, o que me deixa realmente surtado sobre qualquer coisa são primeiras vezes. A primeira vez que eu andei de ônibus sozinho, a primeira vez que eu viajei sem os meus pais, a primeira vez que eu voltei pra casa de madrugada… Tudo isso faz parte do meu medo gigante do desconhecido. Gosto sempre de estar no controle a não ser que eu esteja só de cueca levando uns tapinhas. Eis que vinha agora a minha primeira festa gay.
A primeira coisa que eu precisava era uma oportunidade, um motivo real. Eu sempre quis ir pra matar a minha curiosidade mas cadê oportunidade, não é mesmo? Mas foi bem simples. Eu consegui: o aniversário de uma amiga. Ok, não uma amiga, amiga mesmo. Uma conhecida de noite. Dessas que a gente dança junto, aperta o peito, passa facebook mas na verdade nem conhece direito. Encontrei um amigo meu já habitué desses eventos e fui.
Tá, não fui direto. A noite já começou com o pé esquerdo. Na realidade vários pés esquerdos e todos eles muito grandes. Meu amigo me apresentou ao Sapabonde dele. O que é um sapabonde? Comecemos por aí. É basicamente um grupo de lésbicas que a maioria dos gays tem. elas são bonitas, elas são inteligentes, elas vão te pegar quando vocês estiverem bêbados e principalmente: elas são mulheres em plena realização da sua sexualidade. São pessoas bem resolvidas.

JEITO DE COWBOY, NUM CORPO DE MULHER, DO TIPO QUE NÃO OLHA PRA NINGUÉM…
Obviamente nem todas as lésbicas do mundo são bem resolvidas. Mas as de sapabonde costumam saber exatamente o que querem. É bem admirável na verdade. Você não vê por aí grandes grupos de gays. Gays se segregam, gays se auto-categorizam como “barbie” e “pão-com-ovo”. Gays estão muito preocupados em competir uns com os outros ao invés de participar de uma coisa maior. E é exatamente esse o motivo pelo qual eu adoro sapatão.
Mas enfim, a nossa noite não começou com os (grandes) pés esquerdos pelas minhas novas companhias. Começou errado porque começou num bar. A combinação entre álcool, cigarros e a animação de “oba, hoje vamos ter festa” sempre dá merda. Porque as pessoas sempre estão gerando expectativas pra superar algum ocorrido.
Umas queriam fazer pegações ao estilo calígula pra esquecer umas ex. Outras queriam só sentir a vitalidade de dançar possuída pelo espírito ragatanga. E eu? Bem, eu queria provar pra mim que eu ainda conseguiria me sentir desejado mesmo que fosse por algum velho ridículo. Eu tive um término ridículo via facebook e mais uma penca de quase-relacionamentos frustrados em um intervalo de 2 meses. Eu só queria provar que eu consigo…. alguém. Pelo menos por uma noite.

SÓ POR UMA NOOOOOOITE, SÓ POR UMA NOOOITCHE.
Lá fomos nós para a tal festa. Eu, meu amigo e meu novo sapabonde. E a primeira impressão foi meio chcocante. A festa só tinha homens. Todos parados em cantos numa pista vazia. Ninguém dançava. Todos faziam o mesmo movimento “doi prá lá, dois pra cá”. Só um malhadão de regata esboçava algum entusiasmo coms eus movimentos Go-Go boy. Mas preciso admitir, a decoração era interessante.
Bem a experiência foi igual a tudo que eu esperava só que ao contrário.
As pessoas sempre me disseram que festa gay era tipo um açougue, com vários bombados dançando ao som de Barbie Girl, fazendo pegação louca e eu me sentiria deslocado de qualquer maneira. Mas foi justamente o contrário. Uma festa gay não é bem uma festa, é uma máfia. Uma espécie de sociedade secreta. Todas as pessoas se conhecem, ninguém se pega e o grande auge musical da noite é um remix eletrônico de Adele. E o mais importante ninguém, digo e repito NINGUÉM estava dando um beijinho sequer.

A SOCIEDADE DOS VIADOS MORTOS.
Preciso nem dizer que eu estava entediado e um pouco revoltado. Eu me questionava o tempo inteiro sobre como a minha gente se divertia. Essas pessoas não sabe nada sobre festas. Eu precisava de um drink colorido, música boa de verdade e bem… pegação. É com esse intuito que todas as pessoas saem. Elas saem pra conhecer gente. E bem ali eu estava como um diabético na fábrica do Willy Wonka.
Decidi que já que eu estava ali eu precisava fazer jus a minha condição de mal-amado e principalmente ao meu dinheiro gasto. Comecei a fazer apostas pessoais do tipo “ah, aquele cara tem o que? Uns 45? Ele não vai me recusar. Se eu não conseguir pegar ele eu vou e tomo uma cerveja.” E lá ia eu tentar pegar os velhacos. Sem sucesso.

SINTO MUITO BROTO, NÃO VAI ROLAR.
E então aconteceu. Um bonitão veio flertar comigo. Me pagou uma cerveja, fez uns elogios, perguntou o meu nome e me conquistou só na lábia. “Pronto gente, me senti desejado, sou poderoso, olha o cara que chegou em mim” pensei eu com os meus bons drinks. Eu mantive essa linha de raciocínio até ele me apresentar ao namorado dele. Que queria me bater.
Eu acho que a experiência toda só reforçou o meu medo de primeiras vezes e de me envolver com qualquer outra pessoa. Ainda que só por uma noite (solta Charlie Brown DJ). Eu resolvi que eu ia embora e ia ser agora, vou dar tchau pra todo mundo, pegar o meu taxi e ir sozinho mesmo. Não sabendo que era impossível (mesmo, eu tinha 15 reais no bolso) eu fui lá e fiz
E aí que entra… A Glória Maria. Eu estava no táxi parado num sinal qualquer em Ipanema quando olhei pro carro ao lado. Glória Maria estava lá fechando a janela do carro pra jogar um papel qualquer na rua. Nossa Glória, que vergonha. Nada fantástico, definitivamente. Mas aí eu fique intrigado, sabe? Glória Maria é gente como a gente.
Dei um Google na vida dela. Ela é rica, bem-sucedida, adorou as filhas dela, compra um monte de comprimido pra ficar jovem e… É feliz. Enquanto a grande maioria dos viados fica seguindo os mandamentos de Rihanna procurando love in a hopeless place eu decidi seguir o que eu aprendi com o meu novo sapabonde e com Glória Maria. Arrumar um jeito de encontrar love…

IN A COCKLESS PLACE.
(Source: precisavabotarprafora)
Sabe quando você vê alguém dando um escândalo na padaria porque o açaí veio sem granola? Então, nunca é só a granola. Aquela granola foi só a gota d’água. Era só o que faltava, depois de tudo dar errado o açaí ainda veio sem a porra da granola. Foi mais ou menos assim comigo e…. Beto, o peixe beta. Acordei essa semana e opa… Beto estava morto. Não foi nem a gota d’água, no meu caso foi o aquário inteiro. Literalmente.
Eu já tava arrastando todo um peso, toda uma revolta e agora isso: meu peixe morreu. Meu amigo de todo dia, que ficava ali com a sua cauda colorida dançando e provando que mesmo naquele aquário escroto de pet-shop ele era feliz. E sozinho. Ver o meu peixinho todo duro no fundo do aquário me deu uma depressão… Mas novamente, nunca é só a granola. Nunca é só o peixe.
O problema de ter um peixe é que as pessoas nunca valorizam tanto quanto, sei lá um cachorro. Se eu tivesse um filhote de labrador por uma semana e ele fugisse de casa as pessoas iam ser solidárias e “poxa, o seu filhote fugiu não fica assim”. Mas como eu tive um peixe por 2 anos a resposta padrão é “poxa, que chato”. E é assim que tem sido a minha vida, um grande “poxa, que chato”.
O peixe e o labrador são só metáforas pra um grande problema: se você termina com um namorado que você não gosta e a relação é horrível as pessoas são solidárias. Se você está ficando com alguém legal e que você gosta e acaba… Paciência. O namoro é o labrador, o ficante é o peixe. Não é porque ele não era grande e peludo que ele não era importante. Era o meu peixe e eu gostava dele.
Eu dei descarga no peixe. Foi uma cerimônia digna. Eu coloquei óculos escuros e um lenço no pescoço. Eu achava que Beto merecia pelo menos a minha solidariedade. Já o ficante… Eu excluí de todas as redes sociais de pijama mesmo. Junto com toda a falta de solidariedade do mundo. Mas não junto com a minha vontade de continuar procurando Nemo. Ou um labrador.

PRECISAVA NEM SER UM LABRADOR, NA VERDADE.
(Source: precisavabotarprafora)
Desde os tempos da Alemanha comunista as pessoas são obrigadas a tomar lados. Isto é, se quiserem sair ilesas. Ficar em cima do muro é uma situação que divide opiniões e se você estivesse em cima do muro de Berlim - você estaria morto. A comparação se aplica ao conceito de traição. O que é trair? Onde eles vivem? Se deve perdoar? A seguir no Globo Reporter. Você perdoa uma traição é o novo “de que lado você samba?”. E por acaso eu nem sambo.
Eu estava saindo com o Guilherme há 3 semanas. E convenhamos, talvez não fosse lá a relação mais bem sucedida. Começamos a sair no meio de uma avalanche de implicações que resultaram no término. Começou com uma cutucada e terminou no Facechat. Vamos dar três vivas a essa grande invenção contemporânea chamada Facebook. Mas aonde é que entra a traição nessa história? Ah sim, eu traí. Aliás, fiquei em cima do muro.

EU MUITO GATO EM CIMA DO MURO.
A história começa como todas as minhas histórias começam: bêbado e perdido de todo mundo. Fui numa festa Open Bar que prometia. Prometia vômito, dor de cabeça e principalmente: climão. Toda grande festa é premiada com muitos conhecidos. Os bons e os maus. E no meu caso sempre os maus porque bem, eu tenho todo um histórico de antigas relações complicadas. Com um número considerável de conhecidos.
Antes do Guilherme eu saía com o Rafael. Com quem eu tinha acabado de voltar a falar antes de conhecer o Guilherme. E assim, ele ainda mexia muito comigo. Enfim: o Rafael tirou minha virgindade com 16 anos. De tudo. Inclusive ele foi o primeiro homem a me pedir em namoro. Nosso grande namoro que durou por 6 dias que foi terminado pelo seguinte motivo: Rafael tinha pênis de cachorro. Era vermelho, pequeno, estranho, pele demais… Nunca vi nada assim. Adivinha quem era o nosso grande conhecido canino que estava na festa?

VAMOS USAR ESSE AQUI QUE É DE SER HUMANO.
Eu já estava possuído pelo ritmo Ragatanga. Completamente bêbado e brincando de “verdade ou consequência” como qualquer adulto maduro faria em meu lugar. “Ah, dar um beijinho sem língua numas menininhas não é traição. Traição é se eu ficasse com um cara”, pensei eu com as minhas caipirinhas. E realmente, não teria porque ele ficar chateado por eu ter beijado umas 3 menininhas numa brincadeira com uma garrafa. Mas sabem quem não gosta de brincar? O Rafael.
Ele veio com uns papo de que queria conversar. Conversa? Nós não temos nada pra conversar. Eu terminei tudo jogando cerveja na cara dele há uns 3 anos atrás. Porque o que acontece - além de pau de cachorro, ele me traiu. E eu não perdoei. Embora gostasse bastante dele. Mas né, eu ia ouvir o que ele tem a dizer, não tinha nenhum plano de voltar com ele. Embora antes do Guilherme eu estivesse considerando bastante. E foi nessa conversa aí que o Rafael me agarrou.

NÃO CONSEGUI ENCONTRAR NENHUMA FOTO MAIS APROPRIADA.
A grande questão é que antes de me agarrar eu realmente conversei com o Rafael e… Eu fiquei confuso. Eu gostava do Guilherme, isso era uma certeza. Mas ao mesmo tempo todo o meu passado tava ali sorrindo e me dando caipivodka de melancia. E foi aí que eusinha subi no muro e lá fiquei. Eu expliquei pro Rafael que eu já estava com alguém que era importante pra mim e ele propôs voltar mesmo assim. Eu não dei uma resposta na hora, eu só empurrei ele e fui embora. Em cima do muro.
Fiquei culpado no dia seguinte. Aliás, mais do que culpado: eu era uma Jezebel. Eu estava confuso entre dois homens como na saga Crepúsculo. Eu olha que coincidência: eu estava dividido entre um cara com quem eu ainda não tinha tido relações e um com um lado canino. Eu era Bella Swan com expressões faciais e uma piroca. Se isso não é o fundo do poço, eu não sei o que é. Resolvi abrir o jogo e contar a verdade pro Guilherme. Omitindo obviamente a parte do Rafael, que embora não fosse minha culpa, me deixou dividido.

SAIA DA MINHA FRENTE QUE EU QUERO O OUTRO.
Antes de eu contar pro Guilherme eu recebi uma mensagem com do Rafael perguntando se eu toparia um encontro. Eu respondi educadamente que não e bloqueei de todas as redes sociais possíveis. Eu fiz uma escolha, Jacob. Eu queria o Edward. E fui lá resolver as coisas e contar logo de uma vez. Porque né, a única coisa boa que a Bella faz é correr atrás do Edward. Não era traição, no filme ele entende.
E aí senhoras e senhores… E aí que acabou. A notícia de que eu tinha ficado com outra pessoa foi a cereja do bolo. Do bolo das minhas reclamações, que eram mais por querer ver mais o meu Edward que por qualquer outra coisa. Da minha psicopatia por querer atenção toda hora e é claro, pela minha falta de compreensão com qualquer outra pessoa em momentos de estresse. Ele não entenderia, ele é um vampiro e eu sou só humano.

BELLA, EU VOU EMBORA. VOCÊ ME BROXA COM O SEU COMPORTAMENTO INFANTIL E PROMÍSCUO.
Levei o assunto pro CNVA (Conselho Nacional de Viados Associados), também conhecidos por meus amigos. E a resposta foi unânime sobre traição: perdoaria um affair mas não perdoaria um amante. Mas aí que tá, eu não escolhi ter um affair, eu não escolhi porra nenhuma. Eu só queria ficar lá no meu canto monogâmico sem ninguém me agarrar. Não foi traição, foi uma merda. E merdas acontecem.
Tudo parecia muito bem até a conclusão final de um dos meus amigos.
- Mario, eu acho que eu preferiria não saber.
E eu pensei mesmo sobre isso. Eu não contei pra me livrar da culpa, eu contei pra ser honesto. Porque eu levava a sério todo esse meu Crepúsculo. Eu levava mesmo. E bem, a conclusão final que eu cheguei foi a de que na Alemanha Comunista as coisas eram diferentes. E na capitalista mais ainda. A única conclusão que eu cheguei é que eu deveria ter ficado em cima do muro.

QUE NEM TODO MUNDO FAZ.
(Source: precisavabotarprafora)
Eu passei um tempo sem Ipod, sabe? E assim, duas semanas sem ouvir música pra mim soam como uma eternidade. Principalmente porque eu passo 1/3 do meu dia dentro de um ônibus e todo mundo sabe que uma mente ociosa é oficina do capeta. Numa dessas minhas passagens diárias pela Avenida Brasil, entre a expectativa de uma bala perdida e o medo de ser assaltado eu tive uma epifania. Tá, não uma epifania de verdade. Eu não sou sábio que nem aquele macaco do Rei Leão. Jogaram uma verdade na minha cara.
Eu estava fazendo uma retrospectiva mental sobre o meu 2011. O que eu fiz, quem eu conheci, qual celebridade morreu, quantas vezes a Lindsay Lohan foi presa e solta, essas coisas. Mas o que me pegou tentei escapar, não consegui foi o meu hall do “por onde anda?” simultaneamente respondido por “Ah, é. Tá namorando”. O ano de 2011 senhoras e senhores não foi marcado apenas pela morte de Steve Jobs como também pela morte da solteirice. Todo mundo está namorando.
Veja bem, o problema não é namorar. Tem gente que namora e leva uma vida normal. Mas são bem poucos. Eu acho que as pessoas acabam se catalogando em síndromes as quais elas já são pré-dispostas. Eu não estou falando isso com nem um pingo de recalque. Estou falando com baldes de propriedade de quem está vendo friamente. Eu acho que o medo de morrer sozinho com a cara comida por gatos ao som de Adele deixou todo mundo meio perdido.
Eu acho que todo mundo desistiu de se encontrar e preferiu focar em encontrar outra pessoa. É comodo, é mais fácil e é seguro. Pelo menos por um tempo. Ou talvez por tempo indeterminado. Profissão esposa é puxado e olha que eu já mandei currículo pra ser animador de festa. As pessoas entendem o namoro como abrir mão da individualidade pra virar um só. Não só da invidualidade, as pessoas abriram mão de tudo, inclusive de ter uma vida.
A seguir, casos comuns de relacionamentos mal interpretados por seus integrantes:
#1 - Casal Penedo
Sabe aquela sua amiga toda prafrentex que se vestia bem, tinha um monte de planos e uma vida pela frente? Então, um dia ela vai aparecer posando de moletom da Minnie na janela de uma pousada em Penedo, viagem que o casal ganhou no Peixe Urbano. Assim, despida de vaidade, bom senso e juventude. E pior:registrando tudo com aquelas fotos que só a sua mãe tiraria.

ISSO MÔ, VAI MAIS PRA PERTO DO PÔNEI PRA EU TIRAR UMA FOTO.
O casal Penedo é o tipo de casal que se fecha só na deles. Não tem mais amigos, não tem mais eu, não tem você. Só tem nós. Nós estamos juntos há um mês e resolvemos que vamos juntar pra comprar uma casa. Nós decidimos que vamos chamar nosso futuro labrador de Marley, que nem no livro. Nós decidimos que nossa família vai ser igual a da propaganda da Molico. Nós decidimos ser um casal de 60 aos 20.
Nós estaremos muito fodidos quando esse namoro acabar daqui a seis meses.
#2 - Gato, você é meu mundo.
Ele apareceu pra você, linda. Como num sonho, com cabelo by Fernando Torquatto, sapatos Prada e cheirando a Carolina Herrera for Men. Ou pelo menos foi assim que você enxergou aquele bermudão amarelo da HBS e aquele desodorante Leite de Colônia, tudo na positividade. Ninguém te queria e ele te quis, né? O príncipe encantado te quis. Ai que sonho.
EXPECTATIVA:

REALIDADE:

Aí já que ele é tão príncipe e tão seu começa a rolar um comportamento diferente. Opa, não tem nada demais verificar os números da conta de celular dele. Ah gente, quem nunca descobriu a senha do facebook do namorado e leu todas as mensagens em uma tarde? Poxa gente, vai me dizer que vocês nunca cheiraram o travesseiro dele pra saber se tem cheirinho de piranha? Vamos conversar sobre o que? Ah sim, sobre o meu namorado.
É coisa de relacionamento saudável e que termina bem:

#3 - Casal Homem-Aranha 3
Tudo começou com “hein, meninas vou levar o meu namorado pro nosso almoço, tem problema?” e termina em “Fulana e Sicrano são apenas um perfil no facebook agora, dividindo foto e tudo”. Sabe no filme do Homem-Aranha quando ele se funde com aquela meleca preta e começa a agir diferente? Então. É basicamente isso. E o estágio final de um relacionamento doentio. Deixar de ser um casal para virar uma aberração.

SEXO COM A GENTE NEM É CONSIDERADO MENAGE.
Aí vem a grande questão: porque isso tudo foi jogado na minha cara? Tem um pequeno detalhe que eu não contei. No ônibus tinha um casalzinho. Daqueles que tão começando a se conhecer, começando a se curtir e principalmente não tem pudor nenhum de se pegar no banco do ônibus. Eu tava ali constrangido ao som das onomatopeias dignas de Garfield comendo uma lasanha quando finalmente uma senhora agiu.
- Oh, meus amores… Vocês podem parar um pouquinho? Eu estou com a minha neta pequena aqui… Fica chato, entende?
Eles pararam roxos de vergonha e acabaram se vendo obrigados a conversar. Aí é que a coisa travou. Ouvi fragmentos sobre o câncer do Reinaldo Gianecchini, conversa sobre o tempo nublado e a conclusão nunca chegava. Eles estavam ali trocando fluidos há mais de um mês (talvez eu tenha prestado a atenção demais) e nem realmente se conheciam. Enfim, não era amor era cilada.
Todo mundo achar que deve ter algum problema pra estar solteiro nesse mar de casais. Todo mundo acha que está sozinho e que a vida é injusta. Todo mundo acha um monte de coisa. Eu mesmo acho. Tem dias que eu acho tanto que eu fico dividido se eu tô com carência simples ou é só fome. Parece que tá faltando alguma coisa, mas talvez nem seja isso. Vale a pena ficar juntinho só por medo de morrer sozinho?
Deixo a resposta em apenas uma expressão facial.

VAI QUE A GENTE PEGA UM VAMPIRO E NEM MORRE.
(Source: precisavabotarprafora)
As pessoas acham que eu exagero quando eu falo que a minha vida pessoal é bem cagada. Eu já fui trocado, chifrado, usado e tudo isso sem nunca ter namorado. Toda essa coisa aí de relacionamento é muito subjetiva pra mim, ainda mais considerando que a minha referência de relação estável são os meus pais… Que meio que se separam 3 vezes no ano. Eu não sei lidar com nada disso, mas estava bem disposto a tentar. E eu meio que estava tentando. Bati o meu recorde de mais de uma semana saindo com alguém.
O Guilherme era engraçado, divertido, inteligente, fofo e o mais importante: ele me encarava com a maior naturalidade. Não é qualquer um que leva numa boa uma sucessão de arrotos num segundo encontro. Aliás, não é qualquer um que passa para um segundo encontro conhecendo toda a MARIO EXXXPERIENCE logo de cara. Por exemplo, no nosso primeiro encontro as coisas aconteceram mais ou menos assim:
- Eu li no seu blog como funciona o seu protocolo de primeiro encontro…
- Ah, o de checar o material pro cima da calça? Faço isso sempre. Não dá pra sair com um cara sem saber se está tudo bem. É questão de compatibilidade.
Com uma declaração dessas eu esperava que bem… Ele ia deixar eu verificar não é mesmo? Pra homens isso não é um grande problema, a maioria até curte mas…
- Sabe, eu também tenho os meus protocolos de primeiro encontro. E eles são exatamente de não fazer nada sexual.
- Ah, mas só a mão, vai. É rapidinho e…
- Não.
Pois é. Em 20 anos de profissão nunca tinha me acontecido nada disso. Eu estava lá, todo serelepe em cima dele pra receber um grande veto. O Guilherme disse que era diferente e provavelmente deveria ser mesmo, ele deveria ser frígido. Super fiquei pensando “ele já demorou 3 horas pra me dar um beijo, ele deve estar me odiando. Devo estar sendo um saco”. Mas olha, eu não sou uma pessoa que se deixa abater pelas dificuldades da vida. Resolvi apelar.
As cenas descritas a seguir revelam o quão deselegante foi a situação. Eu anoréxico, tentando abrir a calça de um cara de 1,85 com os dentes enquanto ele segurava as minhas mãos. Entre as investidas eu intercalava um “por favor, Guilherme” e um “não custa nada, vai?”. Foi patético, foi humilhante, foi 100% eu e mesmo assim ele quis continuar saindo comigo. Achei louvável. Até porque no nosso segundo encontro eu consegui averiguar de qualquer maneira e… Definitivamente nada frígido.

ARE YOU BRAVE ENOUGH TO LET ME SEE YOUR PEACOCK
E a história começa aqui: o terceiro encontro.
Eu nunca tive um terceiro encontro. Digo, eu já fiquei com alguém mais de 3 vezes. Mas não foi um encontro, foi um “oi, você aqui nessa festa de novo” que era seguido por uma risada constrangida e pegação. Era nisso que eu estava graduado: em pegação. Nunca um encontro. Um encontro sugere conversa, sugere contato íntimo e bem, por mais que você esteja fazendo sacanagem no banheiro de uma festinha, você não sabe nem o sobrenome de quem você está dividindo as intimidades.
Então, marcamos. Ele deveria chegar as 9, nós iríamos pra um bar com uns amigos dele, encontraríamos uns amigos meus numa festa as 11 e meia e as coisas fluiriam. Parecia uma boa idéia, parecia um bom plano. Mas planos não iriam funcionar nesse dia. Sabe-se lá porque mas eu estava num dia cu. O conceito de dia cu é bem fácil de ser entendido: é aquele dia em que todas as pequenas (e grandes) coisas do seu dia começam a dar errado simultaneamente.
A van em que eu estava indo para faculdade de manhã tinha sido parada pela polícia por irregularidades, assisti aula até as 4 da tarde numa sexta-feira, fiquei sem dinheiro pra voltar pra casa e pra encerrar com muito charme: problemas na linha vermelha, meu ônibus demorou quase 2 horas pra chegar onde devia. Tudo tinha dado errado, era uma sucessão de erros. Mas era sexta-feira, afinal. O que podia dar errado?
Taí, o que podia dar errado? Guilherme teve febre no dia e cancelou a ida a festa. Iríamos só pro bar, tranquilo. Opa, talvez ele tenha se atrasado duas horas e talvez eu não conhecesse quase ninguém no bar. todo mundo parecia tão em sintonia e eu sou meio sensível com essas coisas, sempre me sinto meio deslocado. Não era bem deslocado a palavra, acho que ele meio que estava eufórico com os amigos. E eu não desmarquei a festa. Sou bem chato nesse sentido. Se eu marquei, está marcado.
Ainda não tinha dado meia-noite então teoricamente eu ainda estava num dia cu. Me despedi (sem contribuir com a conta, grande vingança a minha) e fui pegar o meu taxi. Cheguei na festa e cheguei chegando. O objetivo era ficar bêbado o mais rápido o possível sem gastar dinheiro. Eu tava num dia ruim e só queria me divertir, queria celebrar a minha juventude, minha gente. Fui procurar os meus amigos, mas digamos assim que eu tenha encontrado muitos conhecidos.
O lugar estava infestado até o teto de falecidos. Antigos casinhos, antigas quedinhas, antigos “namoros” de 6 dias… Todos os fantasmas da minha vida amorosa fracassada estavam lá. E o melhor: todos acompanhados. Era um grande festival da surra de pica mole na minha cara, é como se o universo estivesse conspirando contra mim e dizendo “alguém aqui tem problemas e provavelmente é você”. O universo não precisava dizer nada na verdade. Os próprios ex-qualquer coisa vieram falar comigo. Viva a diplomacia.

E OLHA QUE EU NEM CHAMEI O NOME DE NINGUÉM.
Aí que eu resolvi ficar bêbado mesmo. Não era beber pra curar mágoa nenhuma, era beber pra esquecer qualquer situação constrangedora que eu pudesse vivenciar naquele ambiente. Eu preferia passar a noite vomitando minha alma naquele banheiro apertadinho do que ficar ali sóbrio socializando com o meu passado. E não sabendo que era impossível, eu fui lá e fiz.
Bebi de tudo. Considerei até matar o restinho de caipi-vodka que tava nos copinhos em cima da mesa, considerei qualquer coisa. Mas nem dinheiro eu tinha pra ir pra casa sozinho então eu estava tinha era que tentar me divertir e principalmente tentar não socializar. Mas ainda era um dia cu. Grande dia cu. Fui no banheiro dar aquela checada no visual e adivinha? Socialização.
- Oi, Mario!
- Er… Oi, tudo bem?
Puta merda, eu consegui sentir a atmosfera de deboche no ar. Não era apenas uma saudação educada. Quer dizer, eu sei lá. Eu sei que quando eu virei eu juro que vi ele e o peguete (muito mais bonito do que eu) apontando, conversando e rindo. Eu podia ter usado outro banheiro, eu queria só ir pra casa e descarregar toda a minha raiva do mundo jogando Wii Sports. Mas pelo menos eu já estava um pouco bêbado. E carente. E o que acontece quando se está bêbado e carente? Simples, pega-se uma amiga.

AMIGO É COISA PRA SE GUARDAR…
Pegar amiga é ótimo, porque é uma grande brincadeira. E é coisa de amigo mesmo. É divertido, é legal e não tem mágoa, ressentimento, nem troca de facebook, fora que é garantido que a sua amiga será uma pessoa legal e vocês vão rir horrores disso depois. Foi isso mesmo que eu fiz. Escolhi uma das minhas amigas mais lindas e incríveis e demos uns beijinhos. Coisa rápida mas divertida e né, me tirava daquela situação embaraçosa que era estar naquele lugar.
Aí eu abri os olhos no meio da ficada, sabe? Eu tenho um sexto sentido muito forte quando eu sei que tem gente olhando pra mim. E tinha mesmo. O falecido do banheiro e o peguete não paravam de me encarar enquanto riam e conversavam entre si. Por favor gente, eu só queria curtir o que sobrou do meu dia em paz. Façam como qualquer pessoa normal e riam de mim por trás. Já tinha passado de meia-noite, então eu não estava mais num dia cu. Mas agora eu não estava muito certo disso.
Ao longo da noite eu trocava mensagens com o Guilherme. Eu achava que estava sendo meio mala com a situação toda. Mas as circunstâncias tinham me deixado meio amargo, e sinceramente? Eu tinha o meu ponto de razão nessa história. Ele atrasou e ele furou. Porque não debater essa situação via sms de madrugada? Parecia tão sensato e esperto, ainda mais considerando a minha irritabilidade. Conversamos, ou discutimos, eu não sei. Eu sei que depois de meia-dúzia de palavras bonitinhas e ele tinha conseguido me dobrar.
Ele ficou me esperando na minha rua as 4 da manhã. Ah, qualquer atraso tinha sido compensado por ele me esperando na porta de casa de madrugada. Ainda mais na porta da minha casa. Eu moro na periferia, meu amigo. Me esperar na porta de casa de madrugada é risco de vida. Mas ele esperou né. Podia não ter esperado, mas ele fez questão de falar comigo. Não era mais dia cu.
Não curto terminar post com essa vibe conto da Thalita Rebouças. Mas a grande verdade é que eu não fiquei mais puto por ter encontrado, pior… Ter encarado os falecidos. Aquilo fez parte de mim em algum momento, tava ali o meu passado sambando na minha cara. E bom, eu acho que aquilo era um passe livre pra seguir em frente. Eu conheci muita gente babaca, mas… Vai que né? Vai que ele é legal mesmo. Vai que ele não é escroto que nem todo mundo. Mas de qualquer maneira…

CAÍA NADA MAL UM EX-TERMINADOR.
(Source: precisavabotarprafora)